“Mais se assemelha ao cenário concebido por George Orwell [...] intitulada ‘1984’”: como Mendonça descreveu os relatórios da PF contra ele mesmo
A decisão que afastou a cúpula da Polícia Federal também transcreveu, como prova, a fala de uma jornalista na televisão.
A decisão que afastou a cúpula da Polícia Federal, em 08/09/2026, não se limitou a apontar irregularidades técnicas nos chamados “relatórios de inteligência” usados contra o próprio relator do caso Master. Também recorreu à ficção para descrever o que via.
Depois de listar as falhas técnicas dos relatórios — sem timbre, sem autoria identificável, classificados pelo próprio material como “sem valor probatório” —, a decisão descreve o conjunto dos fatos.
“Diante do quadro ora apresentado, que mais se assemelha ao cenário concebido por George Orwell em sua célebre distopia, intitulada ‘1984’”
A mesma decisão reproduz, como prova, um trecho da fala da jornalista Monica Waldvogel na GloboNews, atribuindo ao diretor-geral afastado da PF, Andrei Rodrigues, um relato sobre a origem dos relatórios.
“conversando com o Diretor-Geral, com o Andrei Rodrigues, ele disse que durante muito tempo a polícia federal vinha relatando, fazendo relatórios de inteligência para seu próprio consumo e acervo do que ela considerava ilegalidades no comportamento do Ministro André Mendonça nas suas relatorias [...] e esses relatórios foram solicitados pelo Ministro Alexandre e são esses relatórios que embasam essa denúncia”
A própria decisão registra, à parte, que a existência dos relatórios já havia sido levada ao conhecimento do Min. Alexandre de Moraes, que a mencionara num despacho anterior, em outro processo (Inq. 4.871), como motivo para determinar sua apresentação naqueles autos. A decisão não afirma que Moraes tenha solicitado os relatórios — essa é a versão atribuída a Andrei Rodrigues pela reportagem citada. Com base no conjunto, Mendonça decretou o afastamento preventivo do diretor-geral da PF e do diretor de Inteligência Policial.