Dossiê Master
PF — STF

O perito da PF suspenso por vazar dados do celular de Vorcaro a uma jornalista

João Cláudio Nabas foi afastado da Polícia Federal e teve busca e apreensão autorizada depois que a PF apurou que ele teria repassado material sigiloso a uma jornalista — e montado dois arquivos que a própria decisão chama de apócrifos.

Dossiê Master · documento de 28/05/2026

Uma decisão do Min. André Mendonça na PET 15.625 trata de um inquérito aberto em 6 de março de 2026 para apurar violação de sigilo funcional dentro da própria Operação Compliance Zero: dados de medidas investigativas sob reserva de jurisdição teriam sido repassados a profissionais de imprensa. A decisão que abriu o inquérito fez questão de frisar que a apuração deveria mirar apenas quem tinha o dever de guardar o sigilo e o violou — nunca os jornalistas que, no exercício legítimo da profissão, obtiveram acesso indireto às informações.

A Polícia Federal identificou dois núcleos de vazamento. O primeiro, envolvendo mensagens entre Daniel Vorcaro e Martha Graeff, sua então noiva — que, segundo a decisão, incluíam assuntos profissionais e comunicações de natureza íntima —, não teve autoria definida até esta decisão. O segundo — foco desta representação — é atribuído ao Perito Criminal Federal João Cláudio Nabas, que tinha acesso, em razão do cargo, ao laudo pericial que extraiu os dados do celular de Vorcaro, apreendido na primeira fase da operação.

Segundo a PF, entre 4 e 9 de dezembro de 2025 Nabas revelou à jornalista Malu Gaspar informações sigilosas sobre o valor e trechos de um contrato de prestação de serviços advocatícios entre o escritório de Viviane Barci de Moraes e o Banco Master. A representação afirma que ele também encaminhou à mesma jornalista o que descreve como "supostas conversas de WhatsApp" entre Daniel Vorcaro e o Ministro Alexandre de Moraes — sem que a decisão avalie a autenticidade desse material: o objeto desta apuração é a origem do vazamento, não o conteúdo vazado.

Auditorias em sistemas internos da PF (SISCRIM e SARD) confirmaram que Nabas acessou tanto o laudo pericial quanto a extração do celular de Vorcaro. Um dia antes de mensagens que enviou à delegada responsável pelo inquérito, ele criou, em ferramentas corporativas da PF, dois documentos que a decisão chama de apócrifos: "Moraes.pdf", contendo prints do que a PF descreve como supostas conversas entre Vorcaro e Viviane Barci de Moraes e trecho do contrato de advocacia, e um segundo arquivo, intitulado "Toffoli e esposa.pdf", cujo conteúdo a decisão não detalha. Segundo a PF, o material do primeiro arquivo corresponde diretamente ao que foi publicado pelo jornal O Globo em 9 de dezembro de 2025.

Relato da delegada Janaína Palazzo, presidente do inquérito da Operação Compliance Zero, corroborado pelos delegados Marcelo Botelho e Dennis Cali, segundo a decisão do Min. André Mendonça.

Delegada Janaína Palazzo, citada na decisão do Min. André Mendonça
em data próxima à publicação jornalística de 9/12/2025, teria entrado em contato com a declarante para informar que era fonte da jornalista Malu Gaspar há anos
STF · PET 15625 · doc. 15387167431 · p. 4 →

Com parecer favorável do MPF, Mendonça suspendeu Nabas do exercício da função pública, vedou seu acesso a sistemas e bases de dados da PF, e autorizou busca e apreensão pessoal, domiciliar, profissional e veicular contra ele, além do afastamento de seu sigilo telemático.

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