“Possível conexão entre o Banco Master, a Concessionária Cortel SP e a Prefeitura”: um pedido levou o caso aos cemitérios de São Paulo
No mesmo despacho, o inquérito que apura a corrupção no Banco Central ganhou mais dois alvos que nada têm a ver com bancos: um prefeito e uma fintech desconhecida.
Em 6 de julho de 2026, o Min. André Mendonça recebeu, de uma só vez, quatro pedidos dentro do INQ 5.026 — o inquérito que apura a cooptação de servidores do Banco Central pelo Banco Master. Os quatro tratavam de assuntos completamente diferentes entre si, e o próprio relator reconheceu isso.
A deputada federal Luciene Cavalcante — que também pedia a inclusão do deputado Mário Frias, citado num áudio vazado sobre o financiamento do filme Dark Horse — pediu ainda a inclusão do prefeito de São Paulo à época de uma concessão municipal.
“Requerimento de apuração de fatos novos e inclusão de investigado” em face de Ricardo Nunes, Prefeito do Município de São Paulo à época da concessão dos serviços funerários e cemiteriais da capital paulista, ocorrida em 2023, ante a suspeita aventada, segundo a qual haveria possível conexão entre o Banco Master, a Concessionária Cortel SP e a Prefeitura do Município de São Paulo, responsável pela concessão e fiscalização dos serviços funerários e cemiteriais da capital paulista.
Na mesma leva, foi o próprio Banco Central que levou ao processo um alvo novo: um conglomerado financeiro sem relação anterior conhecida com o Banco Master.
irregularidades no âmbito do conglomerado liderado pela Entrepay Instituição de Pagamento S.A., de que faz parte a Octa Sociedade de Crédito Direito S.A., consistentes “na negociação de valores mobiliários (cotas de fundo de investimento) sem lastro suficiente; indução do BCB a erro sobre situação financeira e operações [...] e desvio de recursos” — fatos que, segundo o Banco Central, “guardam conexão com os ilícitos que estão sendo investigados no âmbito da Operação Compliance Zero”.
Ao final, Mendonça determinou o desentranhamento das quatro petições — a de Ricardo Nunes, a do deputado Mário Frias, a de uma senadora pedindo reabertura de inquéritos arquivados, e a do Banco Central sobre a Entrepay — para que virassem processos autônomos, “a serem processados em conexão” com o inquérito principal. A decisão não afirma que a suspeita sobre Ricardo Nunes ou a irregularidade da Entrepay tenham relação de fato com o esquema do Banco Master: registra apenas que os pedidos chegaram e que, por tratarem de assuntos diferentes, mereciam processos próprios.