Dossiê Master
A Turma e Os Meninos

“Heldera” e “Heldeira Resenha”: os contatos salvos do contador que emitia notas fiscais para a “Turma”

A empresa que, segundo a PF, teria pago por trás dos dois nomes já tinha sido suspensa pelo STF dois meses antes.

Dossiê Master · documento de 18/05/2026

Em março de 2026, o STF já suspendia as atividades da King Participações Imobiliárias, empresa de Felipe Mourão, por suspeita de lavagem de dinheiro. Só dois meses depois, em nova decisão, a Polícia Federal detalhou quem, segundo a investigação, teria recebido e formalizado esse dinheiro.

Erlene Nonato Lacerda, apontada como “gestora financeira informal” de Marilson Roseno, teria recebido pagamentos da empresa de Mourão que, segundo a investigação, teriam sido, na verdade, destinados a Marilson.

Representação da Polícia Federal, citada na decisão
“ERLENE aparece de forma concreta como beneficiária nos pagamentos realizados pela empresa KING PARTICIPAÇÕES IMOBILIÁRIA LTDA., pertencente a FELIPE MOURÃO. A autoridade policial registra que, nos dias 26/10/2023 e 16/02/2024, ERLENE recebeu dois pagamentos de R$ 50.000,00 cada, oriundos da KING PARTICIPAÇÕES, embora, segundo a conclusão investigativa, o real destinatário dos valores fosse MARILSON ROSENO.”
STF · PET 15976 · doc. 15387066458 · p. 19 →

Helder Alves de Lima, contador da empresa de Marilson, emitia as notas fiscais que davam aparência formal a esses repasses. A decisão registra como Marilson salvava o contato dele no celular.

Representação da Polícia Federal, citada na decisão
“MARILSON mantinha contato com HELDER por meio de dois números distintos, salvos como ‘Heldera’ [...] e ‘Heldeira Resenha’ [...].”
STF · PET 15976 · doc. 15387066458 · p. 21 →

A mesma decisão registra que, mesmo depois da 2ª fase da Operação Compliance Zero, os pagamentos da King Participações a Marilson não cessaram, e Helder seguiu emitindo notas fiscais — inclusive uma, pedida em outubro de 2025, para o que Marilson chamou de “outra nota de 50k”. Erlene e Helder não integram o núcleo armado da organização, segundo a Polícia Federal, mas são descritos como peças da camada financeira e “dissimulatória” que sustentava a “Turma”.

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