Como o próprio Vorcaro conseguiu suspender a Operação Compliance Zero por dois meses
Uma reclamação apresentada por ele ao STF, citando uma pasta de um deputado federal, levou o Min. Dias Toffoli a avocar o caso e travar toda a investigação, ainda em dezembro de 2025.
Antes de o caso chegar ao Min. André Mendonça, a Operação Compliance Zero passou por um capítulo pouco conhecido: o próprio Daniel Bueno Vorcaro apresentou, em dezembro de 2025, uma Reclamação ao STF (RCL 88.121) alegando que a Polícia Federal escondera, num termo de apreensão, uma pasta pertencente ao deputado federal João Carlos Paolilo Bacelar Filho — documento relativo a uma opção de compra e venda de imóvel, que o parlamentar associava a outra investigação em curso, a chamada Operação Overclean (sobre emendas Pix e o prefeito de Boquira/BA).
Com base nisso, o então relator, Min. Dias Toffoli, suspendeu toda a investigação em primeira instância, avocou o caso ao STF e determinou ao Banco Central que não cumprisse nenhuma decisão sobre o Banco Master ou o BRB que não viesse diretamente do Supremo. Toffoli chegou a conduzir pessoalmente oitivas de investigados e dirigentes do Banco Central antes de arquivar o caso, em 10–11/02/2026. Quinze dias depois, em 26/02/2026, uma certidão do STF formalizou a redistribuição por prevenção ao Min. André Mendonça — que a partir daí conduziu as fases seguintes da Operação Compliance Zero.
O próprio Vorcaro, portanto, usou uma ferramenta processual legítima para travar por dois meses a investigação que, poucos meses depois, resultaria em sua prisão preventiva.