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O “Projeto DV”: como o Banco Master teria pago influenciadores e usado dados privados para intimidar quem o criticava

A PF descreve uma frente paga com dinheiro do esquema do Master para contratar jornalistas e influenciadores e, contra quem recusasse, usar dados sigilosos obtidos ilicitamente — inclusive contra uma jornalista de O Globo e pessoas ligadas ao presidente do Banco Central.

Dossiê Master · documento de 09/07/2026

Uma decisão do Min. André Mendonça na PET 16.346 traz uma nova frente da Operação Compliance Zero: segundo a Polícia Federal, recursos do esquema de fraudes do Banco Master foram usados para promover uma campanha de desinformação na mídia tradicional e digital, batizada pelo próprio grupo investigado de “Projeto DV”. A tática, segundo a PF, era contratar influenciadores e jornalistas — sob compromisso prévio de confidencialidade — para questionar decisões de instituições públicas e desacreditá-las perante a opinião pública.

Quem recusasse as vantagens financeiras oferecidas, segundo a representação, enfrentava outro lado da mesma estrutura: o uso de informações privilegiadas obtidas de forma ilícita para intimidar ou coagir jornalistas, concorrentes e pessoas ligadas ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. A PF já havia descrito essa estrutura, em fase anterior da investigação, como um "braço armado" da organização criminosa.

Como a Polícia Federal já havia descrito, em fase anterior da Operação Compliance Zero, a estrutura por trás dessas ações.

Polícia Federal, citada na decisão do Min. André Mendonça
um braço armado do grupo criminoso, especializado em atos de intimidação, coação e obtenção de dados sigilosos
STF · PET 16346 · doc. 15388685034 · p. 2 →

Um levantamento da Coordenação de Contrainteligência da PF já apontava, com base em fontes abertas, a participação de Thiago Miranda Silva na contratação de jornalistas e influenciadores — mas não havia, até então, elementos para aprofundar as investigações contra ele. Isso mudou depois que o portal Fatos Online publicou duas reportagens.

Títulos das reportagens do Fatos Online citadas pela PF como o fato novo que reabriu as investigações contra Thiago Miranda.

Fatos Online, citado na decisão do Min. André Mendonça
“Exclusivo: Daniel Vorcaro e a 'cartada' Galípolo” e “Daniel Vorcaro: a devassa na vida de Malú Gaspar de O GLOBO”
STF · PET 16346 · doc. 15388685034 · p. 4 →

A partir daí, uma nova Informação de Polícia Judiciária confirmou os diálogos divulgados pela imprensa e apontou Thiago Miranda como figura central no recrutamento dos influenciadores, com táticas que a PF equipara a assédio e intimidação. A Polícia Federal também identificou indícios de acesso indevido a dados privados — inclusive de cunho familiar — usados para pressionar desafetos da organização.

Sobre o uso de dados privados contra desafetos da organização, segundo a Polícia Federal.

Polícia Federal, citada na decisão do Min. André Mendonça
latente abuso ao buscar informações de cunho familiar para atingir os objetivos de intimidação e coação
STF · PET 16346 · doc. 15388685034 · p. 4 →

Com parecer favorável da PGR — que considerou "consistentes quanto à materialidade e à autoria delitiva" os elementos colhidos —, Mendonça deferiu a busca e apreensão contra Thiago Miranda Silva. A decisão não identifica as demais pessoas do "time" que, segundo a PF, o auxiliava a levantar informações contra os desafetos do banco — a própria autoridade policial reconhece lacunas probatórias sobre a real dimensão do esquema.

Mensagens entre Daniel Vorcaro e Thiago Miranda Silva sobre um levantamento de dados do CEO do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho — segundo a decisão, Vorcaro queria "soltar por outro veículo" o material levantado.

Daniel Vorcaro ↔ Thiago Miranda Silva
“Estou precisando fazer um levantamento do Milton Maluhy. Esta me causando muito problema. Me ajuda nisso?” — “Deixa comigo.” (...) “Estou com tudo pronto do Milton. Mas quero fazer da mesma forma. Soltar por outro veículo.”
STF · PET 16346 · doc. 15388685034 · p. 12-13 →

A PF também descreve o financiamento por trás do esquema: Thiago Miranda confirmou, em depoimento, que negociou com Vorcaro a venda de parte do Portal de Notícias Léo Dias por R$ 3,5 milhões, motivada pelo interesse do banqueiro em montar um conglomerado de mídia — recursos que, segundo ele, ajudaram a bancar os pagamentos a influenciadores, repassados pela Super Empreendimentos e Participações, empresa de Vorcaro. Para recrutar outros nomes, a estrutura usava agências intermediárias: um vereador relatou à PF ter sido contatado pela agência UNLTD com a oferta de "gerenciamento de reputação" — só depois de assinar um acordo de confidencialidade, sob multa de R$ 800 mil, soube que deveria gravar vídeos dizendo que o Banco Master fora "vítima" do Banco Central.

Em 11/07/2026, dois dias depois da busca, Mendonça proibiu Thiago Miranda de deixar o país e suspendeu seu passaporte, diante de uma viagem internacional iminente. Entre o material apreendido, a PF achou a minuta de um contrato de 31/03/2026 entre ele e Vorcaro, que já estava preso, para uma "obra audiovisual provisoriamente denominada 'Caso Banco Master'": um documentário ou série em que Vorcaro daria entrevistas exclusivas e entregaria documentos. A decisão ressalva que produzir um documentário "por si só, não configura nenhuma prática criminosa"; o que pesa, segundo ela, é que o contrato seria a continuação do Projeto DV, que já previa a "construção de um documentário" e o uso de dados sigilosos de jornalistas e executivos.

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